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A minha coleção de páginas eletrônicas

A minha coleção de páginas eletrônicas, contendo as obras sob responsabilidade significativamente minha

A minha coleção de páginas eletrônicas, contendo as obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons

A minha página eletrônica, contendo as obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a serem consideradas por mim para o ano 2019 do calendário gregoriano

As obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a serem consideradas por mim para o ano 2019 do calendário gregoriano

"É no Cemitério Que Eu Vou Morar" (a obra sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2019 do calendário gregoriano, e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol: O Dono do Nada e o Que Tá Ruim, Mas Tá Bom e Dá pra Melhorar")

A composição de "É no Cemitério Que Eu Vou Morar" (a obra sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2019 do calendário gregoriano, e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol: O Dono do Nada e o Que Tá Ruim, Mas Tá Bom e Dá pra Melhorar")

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É, há tanta praia perdida na areia, e o mar me esguelha como se a água pudesse ir ali me salvar
É, e eu me confundi com o cantar da sereia e pensei em uma baleia puxando o meu pé sem salgada beirada me agradar
É, e eu vou indo e vindo com ideia de vício cretino de ido e vivido viver querendo o meu mal explicar

Tem gente que morre de morte morrida, mas veio a desculpa querida da vida, que eu descobri sem na ponta da unha tropeçar

E, caindo de maduro em mil caranguejos, que apertam ouvidos e sangram desejo, eu me torno um falho ato exemplar

É, do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério
É, e do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

Pois é, e eu ando otimista com o sério momento sem tempo do que me acontece se eu decidir por aí não me arrastar
É, eu abraço os limites de quando eu me corto na lâmina do dente da fera e finjo que isso é o que vai me danificar
É, e eu me amasso modelado em massa, eu brinco com tinta e eu me colo com cola, ou seja, eu sou um delírio a se confiar

Tem gente que morre de morte morrida ou matada, mas tem até quem acha que é justamente a vida que vem pra matar

É, do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

Não vou, não, não vou, não e não vou, não

É, e do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

Não vou, não, não vou, não e não vou, não

O mundo
O que move o mundo é a bagunça, o que move o mundo é a desordem, o que move o mundo é o caos

E o que move o mundo é a dificuldade de separar o joio do trigo e os supostamente bons dos supostamente maus

Morre que passa, morre que passa, morre que passa, não é?

É ou não é assim que funciona, e não me leve a sério, e pensa no quão possível é a puxada de perna ou juntar lé com cré 

E morre que passa, morre que passa, morre que passa, não é, não?

E a morada ali sempre chega e do enterro só dá para escapar por meio da imaginação 

Morre que passa, morre que passa, morre que passa, morre que passa, morre que passa

Mas eu até não quero ir, eu quero até não ir e eu não quero até ir ;

É, do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

É, e do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

É, mas do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

É, pois do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar, é no cemitério

É, só que do jeito que tudo está, é no cemitério que eu vou morar

​Os meus posicionamentos sobre "É no Cemitério Que Eu Vou Morar" (a obra sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2019 do calendário gregoriano, e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol: O Dono do Nada e o Que Tá Ruim, Mas Tá Bom e Dá pra Melhorar")

O título por si só é uma provocação. Ao afirmar que o eu lírico vai morar no cemitério, não há um sentido literal, mas simbólico. O cemitério aqui não é visto apenas como um local de morte, mas como um reflexo de um estado emocional ou existencial, onde o eu lírico sente que sua vida, suas esperanças e suas possibilidades se encontram estagnadas ou mesmo enterradas. A repetição do tema "cemitério" ao longo da composição reforça a ideia de resignação, mas também de um humor ácido e cínico.

 

Logo no início, o eu lírico apresenta a ideia de estar perdido entre a confusão de elementos e sensações: "há tanta praia perdida na areia, e o mar me esguelha como se a água pudesse ir ali me salvar." A praia, frequentemente associada à ideia de libertação, neste caso está "perdida", o que já indica que o eu lírico está em uma busca frustrada. O mar que "esguelha" (termo que traz uma ideia de dor física ou de exaustão) é uma metáfora para essa busca de algo que, ao invés de salvar, machuca. E, ainda assim, há uma esperança frustrada: o mar "poderia me salvar", mas não é o que acontece.

 

A confusão de ideias segue com a imagem do "cantar da sereia" que, ao invés de atrair e salvar, leva o eu lírico para um destino fatal ("baleia puxando o meu pé"). A sereia, símbolo do desejo e da tentação, agora está associada a um perigo que acaba por afundar o eu lírico. O contraste entre a atração e a destruição é uma metáfora poderosa para as tentações da vida, que podem parecer sedutoras, mas acabam nos levando a uma perda de si mesmo, ou até à ruína.

 

No verso "tem gente que morre de morte morrida, mas veio a desculpa querida da vida, que eu descobri sem na ponta da unha tropeçar", o eu lírico aponta para a banalização da morte. A "morte morrida" soa como algo inevitável, que acaba sendo parte do fluxo da vida. Porém, há um tom de ironia aqui: ele menciona que a desculpa de "vida" para o fim é descoberta de forma quase acidental, como se o próprio processo de viver fosse uma desculpa para a morte. Esse é um ponto que reforça a noção de que a vida e a morte estão entrelaçadas, e o eu lírico percebe a morte como algo quase sem sentido, mais uma consequência de estar vivo do que um evento significativo.

Nos versos seguintes, a repetição de "é no cemitério que eu vou morar" reflete uma aceitação resignada do eu lírico quanto ao seu destino, mas também um questionamento irônico sobre o sentido de viver. Ele não vê mais a vida como algo a ser celebrado, mas como um fardo que inevitavelmente o levará ao "cemitério". Há uma tragédia implícita nesse verso, mas também um tom cômico e desencantado. Ele parece estar fazendo piada com a situação, como se a morte fosse uma solução óbvia para sua miséria.

Os versos "eu abraço os limites de quando eu me corto na lâmina do dente da fera e finjo que isso é o que vai me danificar" sugerem uma autossabotagem deliberada, onde o eu lírico se envolve com a dor de uma maneira quase masoquista. Há uma tentativa de encontrar algum significado no sofrimento, uma maneira de se ferir para "sentir algo", mas sem realmente buscar a cura. A "lâmina do dente da fera" é uma metáfora para os riscos e os danos que ele se impõe, sugerindo um ciclo de dor e frustração, mas também uma espécie de controle sobre o sofrimento, já que ele escolhe se ferir.

Essa imagem é seguida de uma construção surrealista, onde ele "se amassa modelado em massa" e "se cola com cola". O uso de materialidades como "cola" e "massa" tem um tom grotesco de autodepreciação, como se ele estivesse se desintegrando, se perdendo. A ideia de "delírio a se confiar" sugere uma certa alienação, onde o eu lírico se vê preso em sua própria mente e, ao mesmo tempo, se entrega à ideia de uma falsidade, ou um estado mental frágil, que ele aceita por falta de alternativas.​

A sequência de "morre que passa" serve como uma espécie de mantra de desistência. O eu lírico está brincando com o conceito de morte, mas de uma forma que sugere que tanto a vida quanto a morte são efêmeras e sem grande significado. Isso implica uma visão fatalista, mas também irônica, sobre as dificuldades da vida e a inevitabilidade do fim.

Ele repete essa frase, mas de forma cada vez mais desencantada. O "não me leve a sério" transmite uma desconexão com a realidade, e a ideia de "puxada de perna" ou "juntar lé com cré" reforça a falta de sentido nas ações e nas palavras dos outros, além da impossibilidade de entender o que está acontecendo ao seu redor. Essa parte da composição é uma crítica à hipocrisia e à ilusão de controle que as pessoas tentam ter sobre as situações.

Na parte final, o eu lírico diz "o que move o mundo é a bagunça, o que move o mundo é a desordem, o que move o mundo é o caos". Aqui, a ideia de que o mundo é movido pelo caos e pela desordem funciona como uma metáfora para o sentimento de que a vida é algo desorganizado e imprevisível, e talvez nem tão controlável quanto gostaríamos de acreditar. Ao mesmo tempo, essa noção sugere que, em um mundo desordenado, nada faz realmente sentido, e a ordem é apenas uma ilusão. O final, com a referência ao "joio e trigo" e a dificuldade de separar o "bem" do "mal", reflete a confusão moral e existencial que o eu lírico vive. Não há respostas fáceis para a complexidade da vida e da morte, e ele se vê perdido entre essas questões, sem saber onde se encaixar.

"É no Cemitério Que Eu Vou Morar" é uma composição repleta de humor negro e ironia, mas também um manifesto sobre a frustração existencial e a aceitação do fim. O uso de imagens grotescas e surrealistas, como caranguejos, seringa e massa, serve para criar uma sensação de distorção da realidade, como se a vida fosse uma experiência desconcertante e sem sentido. A repetição de frases como "é no cemitério que eu vou morar" e "morre que passa" reflete o estado de incerteza e desesperança do eu lírico, mas também uma desconstrução do significado da vida e da morte. Ao mesmo tempo, há uma crítica à banalização da existência, uma busca por sentido em um mundo caótico, onde as motivações são tão absurdas quanto as próprias ações. A composição é uma mistura de desespero e sátira, e essa dualidade cria uma atmosfera única de reflexão desconfortável sobre a condição humana.

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