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A minha coleção de páginas eletrônicas

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A minha coleção de páginas eletrônicas, contendo as obras sob responsabilidade significativamente minha

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A minha coleção de páginas eletrônicas, contendo as obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons

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A minha página eletrônica, contendo as obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a serem consideradas por mim para o ano 2016 do calendário gregoriano

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As obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a serem consideradas por mim para o ano 2016 do calendário gregoriano

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"O Que Não Te Acontece É a Virtude da Tua Espécie" (a obra sob responsabilidade significativamente minha envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2016 do calendário gregoriano e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol e o Bom Restante ou 'Iuvenis Lunae', 'Dominus Terrae', 'Sapiens Solis' et 'Bonum Reliquum': O Dono do Nada e a Vida de Quem Vive", designação geralmente também como "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol e o Bom Restante ou 'Juvenis Lunae', 'Dominus Terrae', 'Sapiens Solis' et 'Bonum Reliquum': O Dono do Nada e a Vida de Quem Vive")

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As minhas flechas não parecem ser como as daquela donzela matreira

E elas funcionam apenas como breves brinquedos de uma tarde inteira 

E elas não são como aquelas de lamentação em forma de choradeira 

E elas não atingirão qualquer criatura que pareça um mero enfeite de geladeira 

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E eu sei que aquela entidade, aquela pessoa, aquele ser é praticamente inatingível 

E, fora do meu alcance, ainda que haja chance, quase nada é permitido 

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Eu fico pensando no que sempre acontece

Você dorme sem se lembrar e, no outro dia, antes de dormir, você do anoitecer se esquece

E, ao amanhecer, a lembrança do que não acontece é a virtude da sua espécie

Mas, se tudo isso não te entristece, alguma coisa mínima logo te apetece

E isso é apenas a ordem dos fracos competindo com os fortes de mãos dadas conduzindo algum tipo da prece

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Olha, mas não toca

Toca, mas não prova 

Prova, mas não engole 

Engole, mas não sente 

Sente, mas não tem 

Tem, mas não vive 

Vive, mas não morre 

Finge que é verdade 

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E olha, mas não toca

Toca, mas não prova 

Prova, mas não engole 

Engole, mas não sente 

Sente, mas não tem 

Tem, mas não vive 

Vive, mas não morre 

Finge que é verdade 

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As minhas flechas são de plástico, mas eu ando percebendo que a minha vida é de plástico e de plástico eu sou feito 

E o pior é que tem quem já ande sabendo que como vive alguém que é feito de plástico eu ando vivendo 

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E a tal donzela não espera por um sinal inteligível 

E ela não percebe qualquer pretendente em uma janela de dormitório esquecível 

E ela só gostaria de alguém que fosse notório, e não de alguém que parecesse morar dentro de um cartório

E eu sei que não há permissão alguma que faça com que eu chegue lá perto dela

Mas, se um milagre acontecesse, a narração da minha vontade seria desfile de passarela 

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Eu fico pensando no que sempre acontece

Você dorme sem se lembrar e, no outro dia, antes de dormir, você do anoitecer se esquece

E, ao amanhecer, a lembrança do que não acontece é a virtude da sua espécie

Mas, se tudo isso não te entristece, qualquer coisa logo te apetece

Isso tudo é apenas a ordem dos fracos competindo com os fortes de mãos dadas conduzindo algum tipo da prece 

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Olhe, mas não toque

Toque, mas não prove 

Prove, mas não engula 

Engula, mas não sinta 

Sinta, mas não tenha 

Tenha, mas não viva 

Viva, mas não morra 

Finja que é verdade 

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E olhe, mas não toque

Toque, mas não prove 

Prove, mas não engula 

Engula, mas não sinta 

Sinta, mas não tenha 

Tenha, mas não viva 

Viva, mas não morra 

Finja que é verdade 

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É fácil desdenhar do inalcançável, mas a donzela é o poço que dá água ao cachorro que baba de sede perto do inevitável 

E é bom pensar na suposta falta da diferença que existe na igualdade, mas a vida não é só por inteira feita de oportunidade

Você vai morrer na praia, mas não é por falta de aviso e muito menos de criatividade​

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Olha, mas não toca

Toca, mas não prova 

Prova, mas não engole 

Engole, mas não sente 

Sente, mas não tem 

Tem, mas não vive 

Vive, mas não morre 

Finge que é verdade 

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Olhe, mas não toque

Toque, mas não prove 

Prove, mas não engula 

Engula, mas não sinta 

Sinta, mas não tenha 

Tenha, mas não viva 

Viva, mas não morra 

Finja que é verdade 

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É, olha, mas não toca

Toca, mas não prova 

Prova, mas não engole 

Engole, mas não sente 

Sente, mas não tem 

Tem, mas não vive 

Vive, mas não morre 

Finge que é verdade 

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Sim, olhe, mas não toque

Toque, mas não prove 

Prove, mas não engula 

Engula, mas não sinta 

Sinta, mas não tenha 

Tenha, mas não viva 

Viva, mas não morra 

Finja que é verdade 

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Os meus posicionamentos sobre "O Que Não Lhe Acontece É a Virtude da Sua Espécie" (a obra sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2016 do calendário gregoriano, e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol: O Dono do Nada e a Vida de Quem Vive")

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A obra "O Que Não Lhe Acontece É a Virtude da Sua Espécie" constrói-se como um estudo extenso sobre o desejo não consumado, a impossibilidade constitutiva e a natureza humana que se organiza mais pelo que não vive do que pelo que de fato experimenta. Trata-se de uma letra que opera simultaneamente na dimensão psicológica, simbólica e social, apresentando o sujeito como alguém consciente de sua insuficiência e de sua condição plástica — artificial, maleável, descartável — em contraste com a figura inalcançável da "donzela matreira", elevada à condição de entidade.

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Já nos primeiros versos, o eu lírico afirma que suas "flechas não parecem ser como as daquela donzela matreira", estabelecendo a dualidade central da obra: de um lado, quem deseja; de outro, quem é desejada, mas jamais alcançável. As flechas — metáforas do desejo, da tentativa, do impulso romântico, da ação que pretende atingir um alvo — são descritas como "breves brinquedos de uma tarde inteira". Ou seja, inofensivas, infantis, incapazes de produzir qualquer impacto real. A expressão "não atingirão qualquer criatura que pareça um mero enfeite de geladeira" demonstra a sensação de falha e irrelevância: o eu lírico não possui potência simbólica nem mesmo para tocar aquilo que é puramente ornamental.

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Em seguida, a letra amplia essa percepção para a noção de entidade inalcançável:"eu sei que aquela entidade, aquela pessoa, aquele ser é praticamente inatingível". Os três termos — entidade, pessoa, ser — constroem uma gradação entre o divino, o humano e o existencial. O alvo do desejo é simultaneamente tudo isso e nada disso, pois habita um plano acima das possibilidades do eu."Fora do meu alcance, ainda que haja chance, quase nada é permitido": mesmo quando a possibilidade surge, o mundo não autoriza o acontecimento. O desejo está condenado antes mesmo de nascer.

 

A obra então desloca seu eixo para uma reflexão sobre a memória e a repetição do vazio: "Você dorme sem se lembrar e, no outro dia, antes de dormir, você do anoitecer se esquece". Esse ciclo de falta de acontecimento, de experiência e de lembrança define "a virtude da sua espécie", mas diante de uma ironia: aquilo que não acontece — o que não vive, não sente, não experimenta — se torna característica dominante, quase natural, quase biológica. O "não" é identidade.

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O verso "a ordem dos fracos competindo com os fortes de mãos dadas conduzindo algum tipo da prece" descreve um mundo onde a luta, a submissão e a esperança confusa coexistem. Não há justiça; há organização natural do desejo: alguns alcançam, outros não. Alguns têm acesso, outros apenas imaginam. A vida, nessa visão, é uma coreografia desigual.

 

Eis que a estrutura mais marcante da obra surge então com o mantra "Olha, mas não toca", "toca, mas não prova", "prova, mas não engole…" seguido posteriormente por "olhe, mas não toque", "toque, mas não prove", "prove, mas não engula…". A alternância entre "olha" e "olhe", "toca" e "toque", "prova" e "prove" traz uma camada devastadora de significado. Não é apenas um recurso sonoro: é a encenação de dois modos de existir. Quando a frase começa mais próxima, mais natural —"olha", "toca", "prova" — o impulso do desejo aparece com espontaneidade, como se o sujeito desse um passo à frente, tentando aproximar-se do que imagina querer. No entanto, quando essa mesma cadeia ressurge de forma mais contida — "olhe, mas não toque"… — o gesto perde calor e se torna obediente, distante, quase solene. É como se a ordem do mundo interferisse abruptamente no impulso original, esfriando o desejo e impondo-lhe limites. Essa alternância transforma o refrão em uma dança interna: o íntimo diz "aproxime-se", mas a vida responde "não chegue tão perto". Cada vez que a vontade tenta nascer, algo a recolhe. Cada movimento que começa a se formar é imediatamente interrompido por uma regra invisível. Assim, o ciclo inteiro encena o conflito entre o querer e o poder, entre o impulso e a norma, entre a aproximação e a interdição. O resultado é um ritual da incompletude: ações que se iniciam e não se realizam. Desejos que se estendem e são recuados. Vontades que avançam e encontram proibições. Essa coreografia revela a essência do tema: a espécie vive entre o quase e o nunca.

 

A estrofe seguinte reforça essa percepção: "As minhas flechas são de plástico, mas eu ando percebendo que a minha vida é de plástico e de plástico eu sou feito". O plástico surge como metáfora de um ser leve demais para perfurar algo, forte demais para desaparecer rápido, mas fraco demais para ter relevância no mundo real. O sujeito se percebe artificial, translúcido, previsível — e, pior: outros já sabem disso também. A artificialidade se torna identidade, não segredo. A donzela, nesse contexto, aparece ainda mais distante. Ela não aguarda sinais, não nota candidatos invisíveis, não deseja alguém apagado "em uma janela de dormitório esquecível". Ela busca o grandioso, o notável — algo que brilhe. O eu lírico, por outro lado, teme ser percebido como figura burocrática, "alguém que parecesse morar dentro de um cartório", preso ao ordinário e ao inexpressivo.

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Quando afirma: "não há permissão alguma que faça com que eu chegue lá perto dela", o sujeito reconhece que a barreira não é só emocional — é estrutural. Não depende de mérito, esforço ou criatividade: o mundo não concede autorização.

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E a obra retorna ao ciclo filosófico: dormir, esquecer, não acontecer, desejar pouco. A virtude da espécie segue sendo a ausência. "Se isso não te entristece, alguma coisa mínima logo te apetece": a vida humana se contenta com migalhas porque raramente recebe banquetes.

 

A imagem do poço e do cachorro — "a donzela é o poço que dá água ao cachorro que baba de sede perto do inevitável" — é uma das mais incisivas da obra. O poço dá água, mas a água não pode ser bebida. O desejo vê, mas não toca. A vida mostra, mas não oferece. A fome não é saciada, a sede não é atendida. O inevitável é a frustração.

 

Quando a letra conclui que "a vida não é só por inteira feita de oportunidade" e que alguém "vai morrer na praia", ela não lamenta, apenas constata. A impossibilidade é regra, não exceção.

 

O mantra final — repetido em várias camadas — encerra a obra como um fecho ritualístico. A obra termina como começou: com gestos interrompidos, permissões negadas, verdades fingidas. Não há resolução. Não há vitória. Há apenas consciência.

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"O Que Não Lhe Acontece É a Virtude da Sua Espécie" é, portanto, uma obra que descreve a humanidade não pelo que ela realiza, mas pelo que ela nunca chega a viver. O título não é ironia: é diagnóstico. O que falta, o que não ocorre, o que não chega, o que não toca, o que não se concretiza — essa é a verdadeira marca da espécie. O ser humano não é o que faz: é o que tenta fazer e é impedido. A obra revela esse destino com clareza, força e lucidez.​

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