A minha coleção de páginas eletrônicas
As obras sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a serem consideradas por mim para o ano 2024 do calendário gregoriano
"Tolerar o Intolerável" (a obra sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2016 do calendário gregoriano, e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol: O Dono do Nada e Aquilo Que Existe Entre o Chão e o Céu")
Você que está ouvindo isso, saiba que você é um ser incrível
Eu já faço um esforço tremendo pra que os meus pés aguentem o meu corpo inteiro durante todo santo dia pesado
E eu tento fechar a boca, os olhos e os ouvidos pra qualquer tipo de desgosto que por mim pode ser presenciado
Mas tem a questão dos outros, que, pra mim, não sendo tão poucos, claramente são muitos, e com isso eu fico atordoado
E paciência tem limite, mas é preciso cultivá-la no plantio desmedidamente merecido contra tudo o que me deixa travado
Você que está ouvindo isso, saiba que você é um ser insubstituível
Tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
E tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
Você que está ouvindo isso, saiba que você é um ser invencível
Tem caldo de angústia, lamento, lamúria e tormento de mal atordoado, complicado, despreocupado
E tem molho de desprazer, despreparo e destino cruzado, dilacerado, frustrado, parado e segmentado
E tem tempero de inveja, nariz empinado e preconceito por todo lado com total vacilo descuidado
E o caldeirão não está furado, mas tem animal acuado parecendo estar até amordaçado
É que, para o movimento da roda da fortuna, na constante variável do dia, ninguém nunca está preparado
Você que está ouvindo isso, saiba que você é um ser visível
Tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
E tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
Tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é a meta do dia, é
E tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é
É a meta do dia, é
E é a meta do dia, é a meta do dia, é a meta do dia, é
Pois tolerar o intolerável é tolerar
Tolerar o intolerável é tolerar o intolerável
Tolerar o intolerável é a meta do dia
E a meta do dia, que é tolerar o intolerável, a meu ver, é algo tolerável
Eu preciso me aguentar, aguentar o mundo e aguentar todos e me aguentar
Eu preciso aguentar o todo e aguentar tudo e me aguentar, aguentar o raso e aguentar o fundo, aguentar
E eu preciso me aguentar, aguentar o mundo, aguentar todos e aguentar tudo e me aguentar, aguentar
Sim, eu preciso aguentar o todo e aguentar tudo e me aguentar, aguentar o raso e aguentar o fundo
E o raso, o fundo, todos e tudo eu sei, que também precisam, de alguma maneira, me aguentar
Se bater a meta, a meta bateu, a meta foi batida, batida foi a meta
Então, meu bem, deixa o resto pra lá
E bateu a meta, a meta bateu, a meta foi batida, batida foi a meta
Então, meu bem, deixa o resto do resto pra lá
É, bateu a meta, a meta bateu, a meta foi batida, batida foi a meta
Então, meu bem, deixa o resto do resto do resto pra lá
Sim, sim, sim, bateu a meta, a meta bateu, a meta foi batida, batida foi a meta
Então, meu bem, deixa o resto do resto do resto do resto pra lá
Tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
E tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
Tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é a meta do dia, é
E tolerar o intolerável é, tolerar o intolerável é
É a meta do dia, é
E é a meta do dia, é a meta do dia, é a meta do dia, é
Você que está ouvindo isso, saiba que você é um ser vivo
Os meus posicionamentos sobre "Tolerar o Intolerável" (a obra sob responsabilidade significativamente minha, envolvendo essencialmente a combinação de ritmos e sons, a ser considerada por mim para o ano 2024 do calendário gregoriano, e contendo segmento necessariamente na coleção de obras "Garoto Lua, Homem Terra, Senhor Sol: O Dono do Nada e Aquilo Que Existe Entre o Chão e o Céu")
"Tolerar o Intolerável" se organiza como uma espécie de mantra lírico e psicológico, um ciclo de exaustão e resistência. O refrão insistente ("tolerar o intolerável é a meta do dia”) cria uma sensação de repetição obsessiva — quase um sintoma —, traduzindo musicalmente o esforço cotidiano de quem tenta suportar o insuportável. A alternância entre versos confessionais ("eu já faço um esforço tremendo...”) e afirmações de encorajamento ("você que está ouvindo isso, saiba que você é um ser incrível”) constrói um diálogo terapêutico, em que o "eu” poético tenta consolar o "outro”, mas, ao fazê-lo, acaba falando consigo mesmo.
Tudo funciona como um ritmo de "ruminação mental": frases longas, repetições circulares e um crescendo que parece mimetizar a fadiga emocional e o automatismo dos dias. É um fluxo de consciência que mistura lucidez, ironia e resignação.
Do ponto de vista psicológico, a letra expressa o conflito entre ego e sobrecarga, entre o sujeito que tenta manter o controle e a força das pressões externas. Ela funciona como um mecanismo de defesa elevado à exaustão — o ato de suportar o insuportável torna-se o próprio objetivo, um modo de sobrevivência psíquica.
A repetição quase litúrgica da expressão é típica de compulsões de domínio — o desejo de dar sentido ao sofrimento pela repetição da palavra que o nomeia. Há aqui ecos de uma dinâmica neurótica: o indivíduo busca transformar a dor em ordem por meio da insistência verbal.
A insistência na palavra "meta” revela a interiorização de um discurso social e produtivista — como se até o sofrimento precisasse ser medido e atingido como um objetivo. A música ironiza, portanto, o imperativo da performance emocional: ser resiliente, aguentar tudo, "bater a meta” até mesmo no campo do afeto e da resistência.
No entanto, a progressão desses adjetivos — de incrível até vivo — sugere um rebaixamento progressivo da expectativa: começa com a grandiosidade idealizada ("incrível”, "invencível”) e termina com o mínimo essencial ("vivo”). Isso espelha a dinâmica da depressão funcional — quando o sujeito vai reduzindo suas metas existenciais até que "estar vivo” já é uma vitória.
O trecho "tem caldo de angústia, lamento, lamúria e tormento...” introduz uma metáfora culinária da dor — um caldeirão em ebulição, mistura de ingredientes emocionais. Esse tipo de imagem aponta para um processo de digestão psíquica: o sujeito tenta "cozinhar” o sofrimento coletivo, transformando-o em linguagem.
O verso "é que, para o movimento da roda da fortuna, na constante variável do dia, ninguém nunca está preparado” mostra a consciência da imprevisibilidade da vida e a impossibilidade de controle total — um tema profundamente ligado à ansiedade existencial.
O "animal acuado” e o "caldeirão não furado” revelam o contraste entre contenção e explosão: a psique que segura tudo para não se romper.
A alternância entre trechos descritivos e refrãos obsessivos cria uma tensão entre razão e impulso. O primeiro bloco tem estrutura narrativa e racional ("eu já faço um esforço tremendo...”), enquanto o refrão se aproxima da transe sonora, quase uma técnica de resistência coletiva.
O uso da repetição — "tolerar o intolerável é...”, "a meta do dia é...”, "bateu a meta, a meta bateu...” — opera como um mecanismo catártico e também crítico. O excesso verbal desmonta a própria ideia de produtividade emocional: repetir até o esvaziamento vira uma forma de libertação.
O refrão pode ser entendido como símbolo da era da exaustão: a necessidade de suportar não apenas o peso do mundo, mas também a obrigação de parecer suportá-lo bem. A letra transforma essa condição contemporânea em uma parábola sobre a fadiga da empatia, a hiperexposição emocional e a solidão coletiva.
A progressão final ("o raso, o fundo, todos e tudo eu sei que também precisam me aguentar”) inverte a posição do sujeito: o eu passa de paciente a agente. Ele reconhece que o mundo também precisa suportá-lo. Esse gesto final é uma tentativa de recuperar a reciprocidade emocional — o reconhecimento de que não só o indivíduo carrega o mundo, mas o mundo também carrega o indivíduo.
Concluindo, eis uma declaração poética sobre o limite da resistência humana. Sob a aparência de leveza e ritmo, a canção esconde uma reflexão profunda sobre o adoecimento contemporâneo: a tentativa de normalizar o sofrimento e transformar a dor em rotina produtiva.
Ao mesmo tempo, há um gesto de esperança mínima — um lembrete de que continuar vivo, mesmo cansado, é um ato de coragem. O verso final "saiba que você é um ser vivo” é o ponto de aterramento: depois de todas as ilusões de grandeza e de todas as metas quebradas, restar vivo já é o triunfo.